Adolescente que acusa PM de estupro durante corrida do Uber prestará depoimento nesta quarta (22)

A adolescente de 17 anos que acusa o policial militar Agnaldo Alves Boa Morte de estupro durante uma corrida pelo aplicativo Uber, prestará depoimento nesta quarta-feira (22) na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente (Derca). 

Ela estava na casa do namorado, no bairro de Sussuarana, e pediu o carro pelo aplicativo para voltar para casa, em Plataforma, no Subúrbio Ferroviário.

No último dia 8, ela conversou com exclusividade com a reportagem do BNews e contou que o abuso aconteceu após o motorista mudar o trajeto da viagem. O caso aconteceu no dia 25 de outubro.

"Quando eu entrei no veículo não suspeitei de nada. Entrei no carro e comecei a mexer no celular. Eu sei a rota, porque eu sempre fazia esse caminho da casa do meu namorado para Plataforma, quando eu me dei conta eu estava em um caminho totalmente diferente. Daí eu perguntei a ele porque ele tinha desviado o trajeto e ele começou a rir e depois fechou o vidro do carro", contou.

"Lembre-se da minha voz pedindo que você parasse", afirma adolescente que teria sido estuprada por Uber

Ainda segundo a adolescente, o motorista que também é PM, a agrediu com um estilete, após ela ter negado entregar o aparelho celular para ele. "Ele ficou o tempo todo me ameaçando com um estilete. Depois ele pediu para eu colocar a senha no meu celular, mas na hora do nervoso eu não lembrava a senha. Quanto mais tempo eu demorava para colocar a senha, ele me agredia. Quando eu consegui lembrar a senha, ele pegou o aparelho e fez uma nova estimativa de corrida e em seguida excluiu o aplicativo", lembrou.

Versão do acusado

Agnaldo Boa Morte desmentiu a versão apresentada pela garota. Através de um áudio do aplicativo Whatsapp, ele se diz inocente e declara ter provas que não cometeu o abuso.

"Eu tenho provas que não foi eu, porque no local onde a deixei, tem câmeras e mostra que ela saiu ilesa do carro e em seguida fui embora. Ela diz que a corrida foi da Sussuarana para Plataforma, mas na verdade, foi do Novo Horizonte para o condomínio Central Park, na Avenida Ulysses Guimarães, que também fica na Sussuarana", diz um trecho da gravação. 

Afastamento da corporação

Após ser identificado como policial militar, Agnaldo foi afastado da corporação. Em nota, a Polícia Militar informou que o soldado era lotado na 19ª Companhia Independente, do bairro de Paripe, e responderá a um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD). Confira a nota na íntegra:

"A Polícia Militar, por meio da Corregedoria, instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar o envolvimento do policial militar acusado de violentar uma jovem no momento em que a transportava como condutor de Uber. Assim que recebeu a denúncia através da corregedoria da corporação, a 19ª CIPM, unidade na qual o militar é lotado, afastou o soldado das atividades operacionais enquanto transcorre a investigação. A PM faz apuração na esfera administrativa e o resultado do PAD pode implicar até na demissão do militar. Já a investigação do crime é feita pela Polícia Civil", diz o comunicado.

Uber

Já a Uber afirmou que o motorista foi banido da plataforma. "Este tipo de comportamento é absolutamente intolerável e o motorista já foi banido da plataforma. A Uber está em contato com a família da vítima para oferecer assistência e se colocou à disposição para colaborar com as autoridades no curso das investigações. Vale lembrar que nenhuma viagem na Uber é anônima e este tipo de comportamento, se confirmado, leva ao imediato desligamento da plataforma. Acreditamos na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência contra a mulher". Bocão 

Nenhum comentário:

Postar um comentário